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| Noah Bethonico compete na Copa do Mundo de Snowboard Cross 2025/2026 (Miha Matavz/FIS) |
Noah Bethonico queria se classificar para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milano Cortina.
Toda sua preparação foi feita para as três primeiras etapas da Copa do Mundo de Snowboard Cross, classificatórias olímpicas. Não conseguiu. A frustração o fez até repensar sua participação no restante da temporada. Continuou e, três meses depois, os ótimos resultados já impulsionam sua confiança para o próximo ciclo, a partir de agosto.
Ao lado de Lucas Pinheiro Braathen no esqui alpino, o jovem atleta foi um dos destaques do Brasil no fim da temporada 2025/2026, após a disputa dos Jogos Olímpicos de Inverno. Nas quatro provas que disputou em março, avançou à fase final e ficou no top 25 em todas - incluindo a espetacular 11ª posição em Erzurum, na Turquia.
Se antes dos Jogos ele estava zerado em pontos (e sem o top 30 que o habilitaria à disputa da vaga olímpica), após os Jogos saltou para 60 pontos, fechando o ranking na 27ª posição geral. Tivesse feito essa pontuação antes, ficaria bem perto da inédita classificação aos Jogos de Inverno - a última cota foi do espanhol Alvaro Villanueva, com 69 pontos no total.
Eu sinto bastante essa frustração e já pensei muito a respeito, mas eu tento e eu estou levando muito mais como um aprendizado. Porque eu sinto que era só eu encaixar a minha cabeça e ficar um pouco mais tranquilo
Para isso ele conta com apoio da família, namorada e do treinador. Foram eles que convenceram Noah Bethonico a continuar na temporada, ainda que sem pretensão nenhuma. Não houve mudanças de treinamentos, novas metodologias e tampouco uma logística diferente. Os resultados simplesmente apareceram.
Logo na primeira classificatória da etapa de Erzurum na Copa do Mundo de Snowboard Cross 2026, avançou à final pela primeira vez em quase três anos na competição. Depois, na decisão, foi 11º - de longe o melhor resultado masculino do país na disciplina. A sequência continuou com um 23º na Turquia, 21º em Montafon (Áustria) e 19º em Mt. St. Anne (Canadá).
Eu estava naquele ponto que estava bem no 'meio' entre os caras que estão qualificando e indo para as finais e os caras que não se classificavam. Só dei um passo para frente e entrei para essa turma que está se classificando, correndo, competindo para vencer - do nada, simplesmente do nada. O meu técnico falou que não foi por acaso, não foi porque tive sorte; foi uma coisa que venho construindo durante muito tempo e simplesmente chegou o momento de dar certo
Confira entrevista completa de Noah Bethonico ao Brasil Zero Grau
Agora, Noah Bethonico sonha com novos objetivos
Os bons resultados no fim da última temporada na Copa do Mundo de Snowboard Cross 2026 ajudaram a apagar a frustração pelo insucesso na vaga olímpica em 2026 - e já servem de combustível para alimentar o sonho no ciclo até os Jogos Olímpicos de Inverno de 2030, nos Alpes Franceses.
A começar na próxima temporada, que começa em agosto nos resorts da América do Sul.
Ainda que a vaga olímpica siga como principal objetivo, Noah Bethonico quer pensar ano a ano. Agora, por exemplo, pretende recuperar o título da Copa Sul-Americana de Snowboard Cross. Tricampeão entre 2023 e 2025, foi terceiro colocado em 2026 - foi o melhor sul-americano, mas ficou atrás do italiano Giovanni di Mola e do canadense Evan Bichon.
Depois, o atleta do Brasil quer chegar em boas condições para o Mundial de Snowboard 2027, que acontecerá justamente em Montafon, a pista austríaca que ele ficou em 21º na penúltima etapa da temporada e que normalmente tem ótimos desempenhos nos treinos.
Nesse momento, meu foco máximo é chegar no meu nível mais alto e conseguir, quem sabe, ganhar um pódio, uma medalha e colocar a bandeira do Brasil atrás. Meu Deus, ia ser muito irado, é o sonho!
Noah Bethonico não deverá ter companhia do irmão, Zion
Esta é uma caminhada que Noah Bethonico provavelmente fará sozinho.
Desde que começou no snowboard, ele sempre teve a companhia de Zion, seu irmão mais novo e medalhista de bronze dos Jogos da Juventude de Inverno de 2024 em Gangwon, na República da Coreia. O caçula não competiu nas últimas duas temporadas para se dedicar à faculdade - e não deverá voltar ao circuito internacional da modalidade.
Além da universidade no Brasil, Zion prefere o clima mais quente do país do que os períodos de frio e também se envolveu com artes marciais - fã de jiu-jitsu, começou a praticar a modalidade e deve até participar de lutas amadoras.
Ele até falou 'pô, mano, estou treinando bastante, estou forte e tal, não vou ter esquecido o snowboard. Se eu quisesse voltar daqui um, dois anos, eu conseguiria'. Eu falei que sim, conseguiria, mas não no nível mundial (...). Eu incentivei, eu falei 'cara, volta, vamos andar junto, é muito bom'. Eu gostava muito, mas eu não acho que ele vai voltar.
Noah Bethonico busca reafirmar caminhada no snowboard
Sozinho ou acompanhado do irmão, Noah Bethonico sabe que um bom resultado em um Mundial ou a vaga olímpica seria a coroação perfeita de uma caminhada que começou ao acaso no snowboard. Ele tinha 12 anos (um início até tardio perto de atletas de ponta) quando colocou a prancha nos pés pela primeira vez.
A família tinha acabado de se mudar para os Estados Unidos perto do famoso resort Snowmass, no Aspen. O então adolescente aproveitou a proximidade e fazia snowboard praticamente todos os dias durante as duas temporadas em que esteve no país da América do Norte.
Bom, a prática leva à perfeição. Noah e Zion começaram a participar - e a ganhar - diferentes campeonatos regionais em todos os cantos. O ponto alto foi justamente o último evento antes de retornarem ao Brasil: ele foi o sexto colocado e o irmão caçula ficou em terceiro em suas faixas etárias no Campeonato Norte-Americano.
O jovem voltou ao Brasil com a família, mas por pouco tempo. Uma equipe de snowboard dos Estados Unidos, impressionada com o talento de Noah Bethonico, o convidou a fazer parte do time de cross quando completasse 15 anos - e foi o que aconteceu. Na mesma época, surgiu o convite da CBDN para participar dos campeonatos nacionais e se registrar na FIS (Federação Internacional de Esqui e Snowboard).
Praticamente dez anos depois de se aventurar pela primeira vez no snowboard, ele finalmente vislumbra voos maiores. Atualmente, faz toda sua preparação e treinamento ao lado da equipe da Espanha, permitindo que tenha acesso a uma estrutura de ponta na Europa. A ideia, portanto, é não sair mais do grupo dos finalistas e entrar cada vez mais forte nas competições.
É muito bom [estar nesse grupo de finalistas]. Me dá uma confiança muito legal e uma vontade de ficar ainda melhor, de crescer!
