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| Karolina (Arquivo Pessoal) |
A jovem Karolina Calhoun, 13 anos, filha de Nelia Calhoun, brasileira nascida em Senhora de Oliveira, uma pequena cidade mineira de pouco mais de 5 mil habitantes, tornou-se campeã norte-americana juvenil da modalidade na disputa realizada em Omaha, no Nebraska, no meio-oeste americano, entre os dias 19 e 27 de janeiro deste ano.
Foi uma disputa apertada. Foram duas fases até chegar na cidade de Omaha. Primeiro, Karolina teve que viajar até o Arizona, onde aconteceu a disputa regional (são nove regiões no país, cada uma com cerca de 80 competidoras). Classificada, ela foi até Utah, para as provas de sectionals (são três e ela também levou o ouro). De lá, apenas as quatro melhores de cada sectionals garantiram vaga para a disputa Nacional, no Nebraska.
A brasileira esteve ao lado de outras onze competidoras e surpreendeu. No programa livre (não há provas do programa curto na categoria juvenil), ela simplesmente colocou mais de dois pontos sobre a segunda colocada. Foram 49.25 pontos para Karolina contra 46.76 de Maxime Marie Bautista - Akari Nakahara completou o pódio.
"O campeonato nacional foi maravilhoso. Foi mesmo uma inspiração ver e estar junto dos melhores atletas americanos e assistir toda a competição. Foi uma honra poder patinar no mesmo evento. A disputa foi grande mas estava muito bem preparada e fui com o intuito de trazer a medalha de ouro pra casa", afirmou a jovem por e-mail, em português.
Ela esteve lado a lado de Ashley Wagner, por exemplo, favorita à medalha nos Jogos Olímpicos de Sochi, em 2014. O feito também catapultou Karolina ao status de ídolo local em Long Beach. A imprensa local fez diversas matérias com a atleta-prodígio. Ganhou um certificado de reconhecimento pela cidade e, veja só, deu até palestra sobre o esporte num clube filantrópico local. Tudo isso com apenas 13 anos.
Mas para tristeza dos norte-americanos e alegria dos brasileiros, o resultado também mantém a evolução da patinação artística no gelo do Brasil, sobretudo entre as mulheres.
Tudo começou com a 26ª posição de Stephanie Gardner em 2007, nos Quatro Continentes (primeira atleta a disputar uma prova internacional pelo país), passou por Alessia Baldo e Elena Rodrigues até chegar em Isadora Williams, a pequena notável e que possui chances concretas de ir à Sochi. Todas elas podem ficar tranquilas: o Brasil já tem uma candidata a manter essa fantástica evolução.
É do Brasil!
O subtítulo acima provavelmente seria gritado por Galvão Bueno caso ele soubesse dessa história ou se por aqui não tivéssemos a monocultura do futebol. Isso porque a jovem, nascida nos Estados Unidos, não esconde de ninguém: quer representar o Brasil em competições internacionais.![]() |
| (Arquivo Pessoal) |
(Não cabe aqui aquela ideia preconceituosa de que só competem pelo Brasil porque não teriam espaço no país norte-americano: Isadora Williams teria muitas oportunidades, da mesma forma que Karolina também teria)
"Desde pequena sempre sonhei em representar o Brasil. A minha família sempre me apoiou nesta decisão e eu espero que em breve esteja preparada para isso", comentou a atleta, que prosseguiu. "Alguns anos atrás minha mãe entrou em contato com a CBDG e coletou algumas informações. Então eles já têm conhecimento de mim. Espero que quando estiver competindo no nível novice tenha oprtunidade de começar a patinar pelo Brasil", afirmou.
O objetivo maior, claro, serão os Jogos de Inverno de 2018, que acontecerão na cidade sul-coreana de Pyeongchang. Lá, a brasileira estará com 18 anos, idade ideal para um esporte tão duro e que exige dedicação exclusiva desde os primeiros anos da infância.
"Eu acredito que em 2018 estarei preparada para competir nas Olimpíadas", afirmou com a mesma serenidade e confiança demonstrada anteriormente por Elena Rodrigues e Isadora Williams neste mesmo espaço.
Os laços que a prendem por aqui são bem fortes mesmo. Ao contrário de Isadora, que ainda está aprendendo o português, Karolina fala a língua. Toda sua família materna mora ainda no Brasil e vez ou outra ela visita o país e até mesmo as férias ela costuma passar por aqui.
"A família inteira da minha mãe vive no Brasil. Por isso ela sempre fez questão de manter e cultivar nossos laços com o país. A minha primeira ida foi aos 3 meses de idade. Desde então, até começar a patinar seriamente, sempre passei minhas férias escolares no Brasil. Julho e agosto sempre foram os meses favoritos para mim e o meu irmão que sempre adoramos nossas viagens aí", comentou.
Mas por enquanto ela segue treinando e competindo nos Estados Unidos. Afinal de contas, não dá nem para comparar a estrutura e a rotina encontrada lá com a que o Brasil pode oferecer a curto e médio prazo por aqui. Para o bem dela como atleta, que continue em terras americanas.
Ainda que a torcida seja para os patinadores brasileiros Isadora Williams e Luiz Manella. "Tive o prazer de conhecer o Luiz em uma de suas visitas a Califórnia. Adoro eles e acho que os dois têm uma chance real de conseguir uma vaga nas Olimpíadas em Setembro".
Trabalho duro
Já disse neste espaço em outras vezes e repito novamente: não se engane pelos corpos perfeitos, figurinos deslumbrantes e todo o espetáculo midiático. Se tem alguma modalidade que exige demais dos seus atletas, este esporte é a patinação artística no gelo.
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| (Arquivo Pessoal) |
São horas e horas de treino para que as jovens de 10, 11 e 12 anos possam executar as piruetas perfeitas e os saltos magníficos que vemos ao vivo ou pela televisão. Imagina tudo isso num esporte de alto rendimento, onde qualquer erro pode custar a medalha, a vaga, o título. Exige não só preparo físico exemplar, mas também um preparo psicológico muito grande.
Basta ver a rotina da brasileira Karolina. De simples brincadeira quando ela começou a patinar aos cinco anos, após ir a uma festa de aniversário de uma amiga num ringue de patinação, o esporte tomou conta praticamente de toda a sua vida. Adeus férias escolares no Brasil, adeus períodos de descanso e brincadeiras.
"Minha rotina como a de qualquer patinador é bem pesada. Acordo muito cedo todos os dias para patinar antes de ir à escola. Depois da escola volto a treinar novamente no gelo por uma a duas horas nos dias que não tenho ballet ou exercícios de "off ice" para fortalecer e condicionar os músculos. A escola que frequento esse ano me libera das aulas de educação física e arte e isso me deixa com mais tempo para treinar", afirmou.
Tudo para seguir evoluindo ainda mais na patinação. Ela já atinge o nível 4 (o mais alto) nas suas piruetas. Seu component score (nota na qual os patinadores partem de acordo com sua técnica e dificuldade) sempre foi muito elevado em relação às próprias rivais. "O meu desafio agora é mais voltado aos saltos (preciso do axel duplo e saltos triplos), mas força de vontade e dedicação com certeza não faltarão".
Só assim ela pode sonhar em seguir os passos de Michelle Kwan, patinadora norte-americana e dona de duas medalhas olímpicas. A ex-atleta, prata em Nagano-1998 e bronze em Salt Lake City-2002, é a grande ídolo da pequena brasileira ("adoro ver seus vídeos e me inspiro nela para patinar não somente com o corpo mas também com o coração"), mas ela também se inspira em outra atleta, bem brasileira e que também fez história.
"No Brasil sempre gostei da Daiane dos Santos. Ela sempre foi um exemplo de dedicação e talento pra mim". Quem sabe a música "Brasileirinho" não possa tocar também num ringue de gelo e fazer com que Karolina, e todos nós, tenhamos mais orgulho do nosso país, não é mesmo?



MARAVILHOSA! Ela é linda e muito dedicada! Seu talento é de emocionar!!
ResponderExcluire sim ! eu vi os videos dela na net . ela e maravilhosa . acredito muito que seja essa menina que vai trazer a primeira medalha olimpica de inverno para o Brasil ! na torcida !!!
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