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| Kelsey DiClaudio e Alanna Mah no primeiro Mundial feminino de Hóquei no Gelo Paralímpico (Igor Kupco/WPIH) |
Após conquistar sua primeira medalha paralímpica de inverno com Cristian Ribera em Milano Cortina 2026, o Brasil vai expandir sua atuação no paradesporto de inverno. O país confirmou a participação no camping de desenvolvimento de hóquei no gelo paralímpico que acontecerá no México entre 21 e 25 de maio.
A atividade acontecerá na pista de gelo Santa Fé, na Cidade do México. Com presença de atletas do Canadá e Estados Unidos, o objetivo é apresentar a modalidade a mexicanos e brasileiros para impulsionar o crescimento a outros países e regiões nos próximos anos.
Esta será a primeira iniciativa do Brasil na história do hóquei no gelo paralímpico.
Ao todo, quatro atletas (dois homens e duas mulheres) participarão dos treinamentos: Yezza Santos Sousa, Eliane Momesso de Lima, Wilson Roberto Trama Filho e Denis Albert de Oliveira. Yezza e Eliane também estiveram no primeiro grupo que experimentou o curling em cadeira de rodas na Arena Ice Brasil. O país terá também dois membros de staff: Laís Oliveira Linko e Fabrício Dias Paes.
Embora a participação em si no camping de desenvolvimento não represente a criação da primeira seleção brasileira de hóquei no gelo paralímpico, é o primeiro passo para isso. Um país precisa ter, pelo menos, sete jogadores de linha (cinco deles começam de titular) e dois goleiros para participar das competições internacionais.
Com pelo menos dois homens e duas mulheres, além de dois membros de staff, experimentando a modalidade pela primeira vez, a proposta é atrair pouco a pouco mais praticantes na Arena Ice Brasil. A partir daí, basta se filiar à Federação Internacional de Hóquei no Gelo Paralímpico (WPIH) para participar do Pool C do Mundial.
Com esta iniciativa, restará apenas um esporte paralímpico de inverno para o Brasil iniciar suas atividades. Ainda que Fernando Fernandes tenha participado de atividades de esqui alpino paralímpico em 2012, o país não tem atletas e nem atividades focada nessa modalidade no momento.
Quem estará presente no camping de desenvolvimento de hóquei no gelo paralímpico?
Os atletas brasileiros terão uma rara oportunidade no camp de desenvolvimento de hóquei no gelo paralímpico no México: eles aprenderão a modalidade com alguns dos melhores atletas do mundo.
Entre os homens, estão confirmados os norte-americanos Ralph DeQuebec e Kevin McKee, campeões paralímpicos da modalidade, e os canadenses Adam Dixon, James Dunn e Tyler McGregor, todos presentes em Milano Cortina 2026.
Já entre as mulheres estarão presentes as norte-americanas Erica McKee, Hope Magelky, Jamie Benassi e Kelsey DiClaudio, indicada ao Prêmio Laureus, além das canadenses Alanna Mah e Maggie Manning. Todas estiveram presentes na primeira edição do Mundial feminino realizado em 2025.
Que melhor introdução ao hóquei no gelo paralímpico do que treinar com alguns dos melhores atletas do mundo? Estamos felizes em ver mexicanos e brasileiros tendo a oportunidade de aprender com canadenses e norte-americanos durante o camping de desenvolvimento em maio (Michelle Laflamme, gerente sênior da Federação Internacional de Hóquei no Gelo Paralímpico)
O que é o hóquei no gelo paralímpico?
O hóquei no gelo paralímpico é a versão do paradesporto para a modalidade convencional disputada nos Jogos Olímpicos de Inverno. A partir de iniciativas isoladas na década de 1960, esporte ganhou suas primeiras regras internacionais em 1990 e, quatro anos depois, fez sua estreia nos Jogos Paralímpicos de Inverno - para não sair mais.
Era chamado de sled hockey até 2016 porque os atletas deslizam pelo rink de gelo com uma espécie de trenó. Além disso, os tacos possuem "dentes" metálicos que permitem 'grudar' no gelo e ajudar na impulsão e movimento do atleta.
As regras são bem semelhantes ao hóquei no gelo convencional, com cinco jogadores de linha e um goleiro. São três tempos de 15 minutos e vence quem fizer mais gols que o adversário - em caso de empate há prorrogação e, persistindo a igualdade, shootout.
Há duas faltas que são exclusivas à versão paralímpica: o teeing, que consiste em jogar a parte frontal do trenó sobre um rival; e o ramming, que representa em levantar a parte frontal do trenó, virar a parte traseira de forma intencional ou expor o adversário à lâmina.
Considerado um esporte misto no programa paralímpico, as seleções são formadas majoritariamente por homens. Isso levou ao desenvolvimento do hóquei no gelo paralímpico feminino, com a criação do primeiro Mundial exclusivo para as mulheres em 2025 - a versão masculina existe desde 1996.
