Alice Padilha com faixa em seu nome na disputa do esqui alpino nos Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026
Alice Padilha com faixa em seu nome na disputa do esqui alpino nas Olimpíadas de Inverno 2026 (Gabriel Heusi/COB)


Duas das principais revelações do Brasil no esqui alpino, os irmãos Alice e Antônio Padilha esticaram um pouco mais a temporada 2025/2026. Ambos estiveram presentes em Strbske Pleso, na Eslováquia, para uma sequência de seis provas FIS na modalidade para melhorarem suas pontuações no ranking internacional. 

Os dois jovens brasileiros cumpriram o objetivo inicial de buscarem um bom resultado, ainda que eles não tenham terminado todas as provas disputadas. As corridas foram realizadas entre 7 e 11 de abril e também serviu como o campeonato nacional eslovaco. Foram as últimas competições deles no cenário internacional. 

Presente nos Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026 (quando recolocou o Brasil na disputa feminina do esqui alpino após 12 anos), Alice Padilha, aos 18 anos, segue desafiando um paradoxo: raramente termina a maioria das provas, mas quando completa, costuma ser alguns dos melhores resultados da carreira. 

Não à toa, das cinco provas em que estava inscrita, completou apenas duas no slalom gigante. A pontuação FIS, contudo, seria suficiente para lhe assegurar uma vaga olímpica na disciplina em Milano Cortina 2026. 

Antônio Padilha, 16 anos, fez sua primeira temporada na categoria adulta. Das seis provas na Eslováquia, ele terminou três delas - e novamente com resultados próximos à marca de 100 pontos FIS (uma barreira que ele já quebrou duas vezes em seu ano de estreia). Mesmo com pouca experiência, também asseguraria o índice olímpico na última edição.

A família Padilha é apenas o exemplo mais recente de irmãos que dividem a experiência de representar o Brasil em um esporte de neve. No esqui alpino, a prática é bem comum, como Evelyn e Sérgio Schuler (presentes em Albertville 1992), Valentino e Lorenzo Caputi, Tobias e Michel Macedo, entre outros. 

Alice e Arthur, gêmeos, competiram juntos nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude Gangwon 2024. Pouco mais de dois anos mais novo, Antônio se juntou a eles a partir desta temporada e também dá indícios de que brigará por vaga olímpica no futuro.

Resultados de Alice Padilha estão no top 5 da carreira no slalom gigante

Apenas a quarta brasileira a quebrar a barreira dos 100 pontos FIS e a disputar os Jogos Olímpicos de Inverno no esqui alpino, Alice Padilha mais uma vez sofreu com a irregularidade em suas provas: das cinco corridas em que largou em Strbske Pleso, na Eslováquia, completou apenas duas, ambas no slalom gigante. 

Ainda assim, os dois resultados estão no top 5 da carreira da atleta nesta disciplina. No dia 7 de abril, ela foi a 27ª com 2min02s61 e 119.50 pontos FIS - vitória de Anastasiia Shepilenko (Ucrânia) com 1min53s31. No dia 8, Alice foi a 25ª com 2min06s32 e 117.29 pontos FIS - Natali Anna Machytkova (Tchéquia) foi a campeã com 1min56s95. 

Para se ter uma ideia, o desempenho equivale ao terceiro e ao quinto melhor resultado da curta carreira da brasileira no slalom gigante. Tivesse obtido estas marcas antes de 18 de janeiro, ela teria feito índice olímpico na disciplina em Milano Cortina 2026. 

Porém, as eliminações nas três provas seguintes (9, 10 e 11 de abril) mantiveram o alto percentual de "DNF" (sigla inglesa para 'não completou') da Alice Padilha. Desde julho de 2024, a jovem representante do Brasil largou em 65 provas, mas completou apenas 14 delas - cerca de 21,5%. 

Antônio Padilha 'flerta' com 100 pontos FIS novamente

Depois de quebrar a barreira dos 100 pontos FIS no slalom em fevereiro e no slalom gigante em março, o jovem Antônio Padilha mais uma vez se aproximou da icônica marca nas provas de slalom gigante em Strbske Pleso, na Eslováquia. 

O melhor desempenho foi em 10 de abril. Na ocasião, o atleta do Brasil foi o 34º com 2min00s39, garantindo 101.10 pontos FIS - Stanislaw Sarzynski, da Polônia, foi o vencedor com 1min52s35. Esse é o equivalente ao segundo melhor resultado de sua trajetória no slalom gigante. 

Antes, no dia 9, Antônio foi o 37º com 1min53s78 e 105.39 pontos FIS - Federico Toscano (Suíça) foi o mais rápido com 1min44s91. Em 8 de abril, ele ficou em 41º com 2min04s78 e 117.63 pontos FIS; vitória de Lukas Gasser (Áustria) com 1min54s09. 

Foram mais três provas em que não completou uma das descidas: duas no slalom gigante (7 e 9) e uma no slalom (11 de abril).

Com 16 anos nesta temporada, Antônio Padilha tem o que comemorar em sua estreia. Quebrar a barreira dos 100 pontos FIS logo em sua primeira temporada é um feito significativo. Com o desempenho, ele se coloca na briga por vaga olímpica já na próxima edição, nos Alpes Franceses 2030.