Nicole Donadio representa o Brasil em prova sul-americana de freeride, novo esporte olímpico em 2030
Nicole Donadio representa o Brasil em prova sul-americana de freeride, novo esporte olímpico em 2030 (Divulgação/CBDN)

Nesta terça-feira, 7 de julho, ocorreu a reunião do Conselho Executivo do Comitê Olímpico Internacional (COI) que finalizou o programa para os Jogos de Inverno 2030, nos Alpes Franceses. Como há muito não se via, a entidade surpreendeu com diversas mudanças de modalidades e disciplinas. 

Pilar do esqui moderno e fundador dos Jogos Olímpicos de Inverno, o combinado nórdico foi excluído da disputa mesmo em intensa campanha para inclusão da inédita prova feminina nos últimos meses. No fim, a modalidade ficará sem qualquer evento de medalha e terá que lutar para retornar nos Jogos de 2034, em Salt Lake City (EUA). 

Em seu lugar, dois esportes estreantes. O Freeride, que teve sua primeira competição oficial há 30 anos, confirmou seu crescimento recente e garantiu um lugar no programa olímpico dos Alpes 2030. Ao lado dele, a patinação sincronizada (com sua versão mais recente, Synchro9) também fará sua estreia após décadas de trabalho da União Internacional de Patinação (ISU). 
Essas mudanças refletem o compromisso do COI em garantir a paridade de gênero e que o programa olímpico continue a evoluir e a ser relevante para as futuras gerações de atletas e fãs, controlando, ao mesmo tempo, os custos e a complexidade (nota oficial do COI)
Com as mudanças, o COI busca alcançar sua primeira edição olímpica de inverno com equidade de gênero. A entrada da patinação sincronizada vai contrabalançar a maior presença de homens no bobsled e hóquei no gelo, por exemplo. Dos 3.046 atletas esperados, 1.525 deverão ser mulheres e 1.521 serão homens. 

Ao todo, serão 126 eventos de medalhas (56 femininos, 55 masculinos e 15 mistos). Além do combinado nórdico, o snowboard paralelo individual também esteve na berlinda para os Jogos Olímpicos de Inverno 2030. Contudo, nas métricas de popularidade criadas pela entidade, a disciplina soube crescer ao longo dos últimos quatro anos e ganhou uma nova chance - inclusive com a disputa mista por equipes. 

O programa dos Alpes 2030 prossegue com 16 esportes na concepção da palavra: a saída do combinado nórdico deu lugar ao freeride, mantendo oito modalidades para neve e oito para o gelo. Patinação sincronizada, no caso, entra como uma disciplina dentro da patinação artística, ao lado da disputa individual, duplas e dança no gelo.

Jogos Olímpicos de Inverno 2030: as mudanças no programa

Ao todo, 26 eventos foram propostas ao Conselho Executivo do COI, mas apenas nove mudanças concretas irão fazer parte do programa nos Jogos Olímpicos de Inverno 2030. Confira todas as mudanças:
  • Exclusão do Combinado Nórdico para 2030 (pode retornar em 2034)
  • Inclusão do Freeride (tanto no esqui quanto no snowboard) em ambos os gêneros
  • Inclusão da Patinação Sincronizada (versão enxuta, Synchro9, com nove atletas)
  • Inclusão do revezamento misto simples no Biatlo (duplas)
  • Inclusão da competição de sprint por equipes na patinação de velocidade
  • Inclusão da competição mista por equipes no esqui cross
  • Inclusão da competição mista por equipes no snowboard paralelo
  • Inclusão da competição feminina de super-equipes no salto de esqui
  • Inclusão da competição individual no esqui de montanha

Como essas mudanças impactam o Brasil? 

As mudanças do programa dos Jogos Olímpicos de Inverno 2030, nos Alpes Franceses, terão pouco impacto na caminhada dos atletas brasileiros. Das oito inclusões realizadas, apenas duas contam com representantes do país - e ainda assim distante da elite de suas respectivas modalidades.

No Freeride, por exemplo, o Brasil teve apenas três competidores ao longo da temporada 2025/2026: Luciano Serra e Alex Gaston no esqui masculino e Nicole Donadio no esqui feminino júnior. Os dois primeiros disputaram a Série Qualifier do World Tour da modalidade, uma espécie de terceira divisão. 

Além disso, o Brasil participa com certa frequência do revezamento misto simples do biatlo nas etapas da Copa IBU. Resta saber se nos próximos quatro anos os representantes do país (sobretudo os homens) atingirão nível técnico para sonharem com a vaga.

Ainda que tenha sido um sonho antigo de Elena Rodrigues, patinadora do Brasil entre 2008 e 2011, a patinação sincronizada não se desenvolveu no país, que sequer tem um conjunto para disputar torneios. 

Na patinação de velocidade e no snowboard paralelo, o Brasil tem apenas uma atleta especialista (Júlia de Vos no primeiro e Nathália Monteiro no segundo). Assim, elas não têm companheiras para formarem uma equipe. No esqui de montanha, Charles de Candolle compete pouco, enquanto no salto de esqui e esqui cross o país não tem atletas.

Assim, muito provavelmente a delegação brasileira buscará novos recordes e feitos a partir de suas modalidades 'mais clássicas', como bobsled, snowboad, esqui cross-country e esqui alpino. Expectativa, mais uma vez, é bater o recorde de delegação.