Johannes Lamparter se prepara para salto durante prova de combinado nórdico na temporada 2025/2026
Johannes Lamparter se prepara para salto durante prova de combinado nórdico na temporada 2025/2026 (Action Press/nocogirls)

Se sobra tradição para o combinado nórdico, falta engajamento e inovação para a modalidade. Presente desde a primeira edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, a prática está na berlinda e corre até mesmo o risco de sair do programa na edição dos Alpes Franceses 2030. Justamente por isso, está buscando alternativas para se manter interessante

No mês de junho, a FIS (Federação Internacional de Esqui e Snowboard) anunciou o apoio à criação de uma nova competição no combinado nórdico. Recentemente estabelecida, a Velocity Ski League (VSL) assinou um Memorando de Entendimento com a entidade para viabilizar a parceria e auxiliar no desenvolvimento do esporte. 

Ainda não há data para realização da competição. A nova liga pretende se consolidar como uma competição global com seis times mistos, reunindo a elite do Combinado Nórdico em múltiplas etapas - e cada uma delas combinando disputa individual e por equipe mista. Tudo em um formato considerado inovador e pensado para o engajamento dos fãs.

O objetivo é justamente ampliar o alcance que a modalidade possui entre os torcedores. Apesar de reunir dois dos esportes mais tradicionais do programa Olímpico de inverno (esqui cross-country e salto de esqui), o combinado nórdico sofre para cativar audiência. Está entre os esportes menos vistos e ainda conta com baixa competitividade na elite. 

A Velocity Ski League surge justamente para melhorar esta questão. O acordo simboliza a cooperação futura e um compromisso compartilhado em prol do esporte para criar oportunidades tanto a atletas quanto a torcedores. Assim, não é visto como evento concorrente à Copa do Mundo, mas como ferramenta de visibilidade. 

O que a nova liga de combinado nórdico quer entregar? 

Basicamente, a VSL quer entregar uma nova forma de acompanhar e de 'consumir' o combinado nórdico em todo o mundo. 

A ideia é apostar na inovação de formatos e na construção de storytelling (narrativas) para desbloquear novas oportunidades e ativar o engajamento dos torcedores - tudo sem mexer na tradição e nos valores que o combinado nórdico construiu ao longo do último século. 

Nos últimos anos, a FIS tentou criar novos atrativos na Copa do Mundo e no Mundial. A entidade adotou intervalos fixos de largada, saída em massa, provas de sprint e até chegou a inverter a ordem das modalidades. Nenhum deles, porém, chegou a ser utilizado na disputa olímpica. 

Para obter sucesso nesta nova empreitada, FIS e Velocity Ski League apostam no trabalho em conjunto com atletas para aumentarem a audiência. As decisões prometem levar em conta os próprios competidores, que terão voz ativa nas principais decisões relacionadas ao evento - até na divisão das receitas financeiras.
Para um atleta, trata-se de um verdadeiro avanço. A Velocity Ski League oferece a oportunidade de construir uma nova base de fãs, livre das limitações estruturais que historicamente restringiram os organizadores (Billy Demong, EUA, campeão olímpico)

Por que o combinado nórdico está na berlinda? 

Toda tradição do combinado nórdico não é mais suficiente para garanti-lo no programa olímpico de inverno. Nos últimos anos, a FIS recebeu diversos avisos e mensagens de que o esporte poderia perder seu lugar cativo nos Jogos de Inverno por três motivos principais: 
  1. Falta de audiência: são três ciclos seguidos em que o combinado nórdico possui os menores índices de audiência televisiva e digital dentre as 16 modalidades do programa olímpico de inverno; 
  2. Necessidade de abrir espaço: uma ala cada vez mais crescente no COI quer reformular o programa dos Jogos de Inverno e, para isso, conta com a exclusão de modalidades tradicionais e, ao mesmo tempo, pouco lucrativas; 
  3. Prova masculina e restrita: poucos países se destacam no combinado nórdico e o próprio esporte é totalmente masculino. A primeira edição da Copa do Mundo feminina surgiu apenas em 2019/2020 - ainda assim mais por pressão externa do que pela própria vontade da federação internacional. 
A 146ª Sessão anual do COI, que aconteceu no fim de junho, iria decidir o futuro do combinado nórdico no programa olímpico de inverno. Porém, a medida será tomada apenas em 7 de julho, na reunião do Comitê Executivo. A modalidade não só espera ganhar sobrevida, como também finalmente incluir a participação feminina nos Jogos de Inverno de 2030, na França.