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| Alice Padilha durante preparação para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 (Gabriel Heusi/COB) |
Principal nome do Brasil no esqui alpino feminino na atualidade, Alice Padilha vai dar um importante passo em sua carreira a partir deste mês. A atleta passará a treinar no Carrabassett Valley Academy (CVA) em Maine, nos Estados Unidos, já pensando no início de ciclo até os Jogos Olímpicos de Inverno de 2030, nos Alpes Franceses.
Lá, a brasileira fará parte da equipe feminina FIS do programa, composta por três atletas, e sob orientação de Kirk Dwyer, um dos mais importantes treinadores de esqui alpino dos Estados Unidos e considerado um dos responsáveis pelo sucesso da multicampeã Mikaela Shiffrin na modalidade.
Com mais de 40 anos de experiência no esporte e nomeado melhor treinador doméstico dos EUA em 1989, Dwyer trabalhou como chefe nos principais centros de esqui alpino, como Burke Mountain Academy (entre 2000 e 2016) e o Clube de Esqui e Snowboard de Vail (entre 2016 e 2021), antes de assumir a coordenação do esqui alpino no CVA.
"Ele realmente me ajudou em um período fundamental para o meu crescimento no esqui. Me ajudou a entender bastante o esporte, a mecânica de movimento, como traduzir isso em velocidade e porque é fundamental se manter estável antes de ser rápido", comentou Shiffrin a NBC Boston.
A Carrabassett Valley Academy está localizada na base da montanha Sugarloaf e é apontada como um dos melhores centros de treinos de esqui na América do Norte. De lá saíram campeões como Bode Miller (seis medalhas olímpicas em quatro disciplinas diferentes) e Seth Wescott (bicampeão olímpico no snowboard cross).
Esta, contudo, não será a primeira mudança que Alice Padilha faz em sua carreira. Na última temporada, ela passou um período de treinos na Áustria para a disputa dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026. Agora, retorna aos Estados Unidos para seguir evoluindo no slalom e no slalom gigante, suas especialidades.
Estou muito animada para treinar na CVA e trabalhar com uma equipe tão experiente. Sei que será um ambiente desafiador, mas também uma grande oportunidade para evoluir tecnicamente e ganhar consistência no circuito (Alice Padilha)
A programação de Alice Padilha na próxima temporada do esqui alpino
Alice Padilha mal terminou a última temporada e já detalhou o planejamento de 2026/2027 no esqui alpino, combinando preparação física, training camps internacionais e competições no circuito da FIS.
A primeira parte começará em maio de 2026 e se estenderá até julho. O período contemplará provas em Coronet Park e Cardrona, na Nova Zelândia, e posteriormente em Kabdalis, na Suécia - locais reconhecidos para o desenvolvimento das disciplinas técnicas da modalidade.
A partir de novembro, ela disputará provas FIS na América do Norte até março de 2027, sempre sob supervisão da Carrabassett Valley Academy. A expectativa é que ela passe entre 110 e 140 dias de treinamentos na neve, algo próximo ao adotado pelos principais atletas do esporte - Lucas Pinheiro Braathen, por exemplo, passa cerca de 200 dias em preparação.
Quais os desafios de Alice Padilha na próxima temporada?
Basicamente, Alice Padilha buscará aprender com Kirk Dwyer a mesma lição de Mikaela Shiffrin. Ou seja, aprender a ficar estável antes mesmo de ser rápida. Ainda que a brasileira tenha ótimos resultados na modalidade quando completa as provas, ela possui um elevado índice de eliminações que comprometem uma maior evolução no circuito internacional.
Nas últimas duas temporadas (a partir de julho de 2024), ela largou em 67 provas oficiais, mas terminou apenas 16, uma média baixa de 23,9%. Ela não completou nenhum grande evento que disputou, como os Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude em 2024, o Mundial Júnior em 2025 e os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026.
Mesmo assim, Alice Padilha precisou apenas destas 16 provas para fazer o índice e recolocar o Brasil no esqui alpino feminino em Jogos Olímpicos após 12 anos. Ela também foi apenas a quarta brasileira da história a quebrar a barreira dos 100 pontos FIS (ao lado de Maya Harrisson, Anna Breigutu e Chiara Marano) e a primeira em mais de dez anos.
Com apoio da Carrabassett Valley Academy, o objetivo é garantir que estes bons resultados sejam mais consistentes.
