Prova de revezamento misto do esqui de montanha em sua estreia olímpica nos Jogos de Inverno de 2026
Prova de revezamento misto do esqui de montanha em sua estreia olímpica nos Jogos de Inverno de 2026 (Divulgação)

Principal novidade - e curiosidade - na disputa dos Jogos de Inverno de 2026 em Milano Cortina, o esqui de montanha passou no 'teste' e ganhou nova chance. O esporte não apenas seguirá no programa olímpico da próxima edição, nos Alpes Franceses 2030, como ganhou mais duas disputas de medalhas

A decisão foi tomada na 146ª Sessão do COI (Comitê Olímpico Internacional), realizado na última semana de junho e referendada pelo Comitê Executivo na última terça-feira, 7 de julho. O próprio órgão já havia orientado a favor da decisão a partir da sugestão do Comitê Organizador Local dos Jogos de Inverno de 2030 e do Grupo de Trabalho do Programa Olímpico (OPWG). 

E, da mesma forma que a escalada no programa de verão, o esqui de montanha também fortalece sua presença aos poucos

Se em 2026 foram três eventos de medalhas (uma disputa por sprint em cada gênero e o revezamento misto), nos Alpes Franceses 2030 serão cinco provas em jogo. Além dos três já citados, haverá o 'individual' para homens e mulheres. É o mesmo formato do sprint, com fase ascendente e descendente, mas em um percurso maior e, portanto, disputado uma única vez e não em baterias. 
Reconhecemos o potencial do esporte para agregar valor significativo ao programa, apoiado por sua forte presença nas regiões alpinas e sua capacidade de promover diversidade, autenticidade e atratividade, além de aproveitar seu crescente ímpeto olímpico (Karl Stoss, presidente da OPWG)

Por que o esqui de montanha prossegue no programa olímpico de inverno?

A justificativa de Karl Stoss revela explicitamente os três motivos que fizeram o órgão recomendar a permanência do esqui de montanha no programa olímpico dos Jogos de Inverno de 2030 - acatada pelo Comitê Olímpico Internacional:
  1. É um esporte bastante popular nas regiões alpinas, sobretudo na França, país-sede da próxima edição. O país conquistou três da nove medalhas disponíveis nos Jogos de Inverno de 2026 e nomes como Emily Harrop e Thibault Anselmet estão entre os melhores do mundo. 
  2. É um esporte mais diversificado do que a maioria do programa olímpico de inverno. Na estreia em 2026, 13 Comitês Olímpicos Nacionais garantiram classificação mesmo com apenas 36 vagas em jogo. Além disso, países como Espanha, que raramente se destacam na luta por medalhas, também sobem ao pódio em suas provas. 
  3. Para além da curiosidade, o esqui de montanha caiu nas graças da audiência e dos torcedores. As peculiaridades do formato (como o diamante e a escadaria) e a emoção intrínseca com trocas de posições, é um chamariz e tanto para os fãs. 
Isso fez com que o esporte, que se estruturou apenas no início dos anos 2000, 'furasse a fila' e entrasse nos Jogos Olímpicos de Inverno antes de modalidades bem mais tradicionais. Telemark e Bandy, por exemplo, estão na espera há muito tempo - e não há indícios de que podem ser incluídos em um futuro próximo. 

Mas afinal, o que é o esqui de montanha? 

O esqui de montanha (também conhecido como 'esqui montanhismo' ou 'esqui alpinismo') é um esporte de neve que combina elementos do esqui com a escalada em montanhas. O percurso costuma ter duas fases: a primeira, ascendente, em que o atleta sobe esquiando na fase do diamante e caminhando nas escadas); e a descendente, de esqui alpino, até a linha de chegada. 

Entre os equipamentos principais estão os esquis, que não devem pesar mais de 1,8kg e devem ser aderentes tanto para a subida quanto para a descida; as botas, leves e flexíveis; a mochila para guardar os materiais; e a 'pele de foca', um tecido que se coloca embaixo das botas para auxiliar na escalada.

Sua prática remonta à Antiguidade e à necessidade do homem de se locomover em trajetos com neve. No século 20 surgem as primeiras competições que mesclavam montanhismo com esqui. Um dos precursores foi a Patrulha Militar, que também utilizava o tiro esporte e esteve presente na primeira edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Chamonix 1924. É também a antecessora do Biatlo. 

Em 1992 surgiu o Comitê Internacional de Competição de Esqui Alpinismo, sancionando o Campeonato Europeu naquele mesmo ano. Em 2008, a entidade deu lugar à Federação Internacional de Esqui de Montanha, concluindo sua popularização em outras regiões. A Copa do Mundo é disputada anualmente desde a temporada 2005/2006, enquanto o Mundial surgiu em 2002 e, desde 2011, é disputado apenas em anos ímpares. 

As provas são contrarrelógio, ou seja, quem chegar primeiro vence. O formato mais tradicional é por equipes, em que dois ou três atletas precisam completar juntos o percurso. Além disso, há provas individuais de longa distância, os sprints (em baterias, similar ao esqui cross-country), o revezamento (de dois ou quatro atletas e cada um faz um trecho do circuito) e o vertical, que consiste em uma corrida uphill até o topo da montanha. 

O Brasil já teve um representante na elite do esqui de montanha. Charles de Candolle, que mora na Suíça, estreou na temporada 2017/2018 e segue como único nome do país na modalidade.