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| Arena Thialf, em Heerenveen (Países Baixos) irá sediar a patinação de velocidade nos Jogos Olímpicos de Inverno 2030 (Divulgação) |
Pela primeira vez na história, uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno acontecerá em dois países. A organização dos Alpes 2030, cuja sede principal é a França, levará a disputa da patinação de velocidade para Heerenveen, nos Países Baixos, cerca de mil quilômetros de distância das demais modalidades de gelo.
A proposta do Comitê Organizador dos Jogos foi aprovada pelo Conselho Executivo do Comitê Olímpico Internacional no fim de junho - assim como a entrada de Lyon no lugar de Nice como cluster dos demais esportes de gelo por questões políticas. Essa possibilidade já era debatida há algum tempo entre as partes.
Isso está em consonância com a intenção declarada da candidatura dos Alpes 2030 em aproveitar a flexibilidade pelo COI e garantir uma sede fora da França, dada a ausência de uma arena no país anfitrião (nota oficial do COI)
A proposta francesa como sede dos Jogos Olímpicos de Inverno 2030 já indicava a intenção de levar competições inteiras a outros países em vez de construir arenas novas em seu território. A recomendação, aceita e compartilhada pelo COI, era reduzir custos com equipamentos e reaproveitar tudo o que fosse possível.
Em suma: o Comitê Organizador dos Jogos de Inverno Alpes 2030 optou por deixar a patinação de velocidade para Heerenveen, nos Países Baixos, a ter que construir uma pista oval do zero - o que poderia consumir cerca de US$ 200 milhões no orçamento (a de Beijing 2022, por exemplo, foi orçada em US$ 187 milhões à época).
Mesmo com Timothy Loubineaud como destaque, atleta com dois top 5 na patinação de velocidade em Milano Cortina 2026, a França não possui arenas da modalidade - a estrela francesa, por exemplo, treina na Alemanha.
Na última vez que sediou os Jogos de Inverno em Albertville 1992, o esporte ocorreu em L'anneau de vitesse, uma pista aberta utilizada para o atletismo. Atualmente, porém, o COI exige a utilização de pistas cobertas para a prática.
Com menos de quatro anos para os Jogos Olímpicos de Inverno 2030, há mais dúvidas do que certezas em relação à organização do evento. Neste ano, por exemplo, Lyon teve que assumir as modalidades de gelo (como hóquei, patinação artística, pista curta e curling) após Nice eleger um novo prefeito descontente com o acordo.
Assim como Milano Cortina 2026, Alpes 2030 aposta em um formato descentralizado. Além de Lyon, os Jogos terão disputa em Briançon (esqui estilo livre e snowboard), Savóia (bobsled, skeleton, luge, esqui alpino, esqui de montanha, salto de esqui e combinado nórdico) e Alta Savóia (com esqui cross-country e biatlo).
Por que Heerenveen foi escolhida para os Jogos de Inverno de 2030
Entretanto, o que Heerenveen tem para ser escolhida como sede da patinação de velocidade nos Jogos Olímpicos de Inverno 2030? Basicamente, três tópicos explicam a escolha:
- A Arena Thialf está 100% pronta do ponto de vista operacional. Ou seja, é capaz de sediar um evento como os Jogos Olímpicos sem precisar de qualquer adaptação ou reforma para isso.
- Jamais sediou um evento olímpico, permitindo um envolvimento maior de comunidades em torno do Olimpismo - um desejo da nova gestão do COI.
- Certamente vai reunir uma grande base de torcedores apaixonados pela modalidade, uma vez que os Países Baixos são a grande potência do esporte.
Evidentemente a escolha terá seu custo para o governo neerlandês. Reportagem do portal Inside the Games indica que o país assumiu o compromisso de pagar € 37,5 milhões como 'taxa' de país-sede. O custo, porém, parece ínfimo diante das possibilidades que o evento pode oferecer.
Até porque o plano B do Comitê Organizador Local dos Jogos Olímpicos de Inverno 2030 era levar a disputa para o Oval Lingotto, na Itália, e sede da patinação de velocidade nos Jogos de Turim 2006. Entretanto, o local precisaria de uma reforma que custaria, pelo menos, € 12 milhões a mais.
Dessa forma, a edição dos Alpes 2030 garante uma arena de ponta (talvez a mais importante do mundo para a modalidade), mesmo que esteja a mais de mil quilômetros das demais sedes - um isolamento que será cada vez mais comum no programa olímpico de inverno, pelo visto.
Os patinadores neerlandeses, por sua vez, terão apoio maciço nas arquibancadas e podem brilhar 'em casa'. Para o Brasil, também serve de uma motivação extra. Afinal, é na Arena Thialf que a jovem Julia de Vos, 20 anos, treina. No caso de uma vaga olímpica inédita, ela certamente não sofrerá com adaptação.
