Isabel (Renato Leite Ribeiro/CBDN)
Imagino que não é nada fácil continuar competindo quando logo de cara, na sua primeira participação olímpica, você consiga superar tudo o que já feito pelo seu país na história - e que não tão cedo alguém chegará perto disso. 

Mas se você pensa que esta situação intimida ou pressiona a carioca Isabel Clark, está muito enganado. Sete anos depois da histórica e inacreditável nona posição no snowboardcross nos Jogos Olímpicos de Inverno de Turim, ela garante: seu nível técnico aumentou e ela se sente pronta para mais uma edição dos Jogos. A terceira de sua carreira tardia. 


Avante!

Tardia porque tudo começou lá com 18 anos, quando ela conheceu o snowboard (e a neve) numa visita que fez ao irmão nos Estados Unidos. Logo em seguida esteve no primeiro campeonato brasileiro da modalidade. Não parou mais. E coleciona títulos desde então. 

Por conta disso, com quase 20 anos de estrada na modalidade, que Isabel sente que amadureceu. Ela ainda é a grande esperança de um bom resultado nos próximos Jogos de Inverno. A brasileira está na 14ª posição do ranking. Ela pode terminar no top 10 novamente. Se há alguma chance improvável de medalha, é com a snowboarder. Não tem jeito. Isabel é mesmo o rosto do nosso esporte de inverno. 

Estou tendo uma boa preparação e tive bons treinos. Sinto uma evolução técnica super importante na minha carreira. Me senti muito consistente nesta última temporada. O meu nível aumentou. Tanto que poderia até ter sido melhor nos resultados", confirmou a atleta ao Blog Brasil Zero Grau. 

Os resultados ficaram dentro do esperado. Isabel sempre esteve entre as 15 melhores e na última temporada conseguiu avançar até a semifinal e terminar entre as 12. Numa prova, fez o quinto melhor tempo na eliminatória. 

Desempenho que a aproxima de sua terceira participação olímpica. A brasileira precisa terminar entre as 24 melhores do ranking até janeiro. Algo que parece simples, para quem sempre fica entre as 15, 16 melhores do mundo.Mas é aí justamente que ela redobra a atenção. 

"Ainda faltam cinco competições. Tem que ser bem inteligente e dar o melhor, mas tem que ter leitura da pista. O que a gente menos quer é ter lesão antes dos Jogos Olímpicos. Vou dar o meu melhor e ao mesmo tempo ser inteligente", afirmou. 

Para isso, já está fechando uma parceria com Valle Nevado, para criar uma espécie de centro de treinamento por lá durante a temporada sul-americana, de julho a agosto. Através de seus contatos, levará a equipe de snowboard do Canadá para Ushuaia, na Argentina, a fim de realizar training camps com a equipe brasileira. 

Tudo para estar presente novamente na pista de Sochi, onde ela já pôde competir e gostou do que viu. "Foi uma das mais exigentes da Copa do Mudo. Os obstáculos eram enormes, apesar da pouca neve. Foram bem feitos, diferente de Vancouver. Foi uma pista muito prazerosa de descer. Estou ansiosa para andar nela de novo", confessou. 

A torcida nossa é de que isso se concretize. E, por que não, com um resultado tão surpreendente ao de Turim, não é mesmo?

Confira entrevista do Blog Brasil Zero Grau com Isabel Clark na festa da CBDN: