Agora para brasileiros

Equipe brasileira de patinação (Divulgação)

Eu juro que antes de começar este post respirei bem fundo. Não pela notícia em si, que considero boa, mas pela polêmica e repercussão que ela terá nos próximos dias. Primeiro, vamos aos fatos: a CBDG anunciou a criação da segunda clínica de treinamentos de patinação artística. O evento acontecerá entre os dias 16 a 20 de fevereiro, em Little Falls, nos EUA. 

A diferença é que dessa vez o evento é voltado para seis atletas brasileiros que praticam a modalidade por aqui. Eles serão recrutados após análise de um currículo esportivo que os interessados devem solicitar e enviar para a entidade pelo e-mail informa@cbdg.org.br até o dia 17 de novembro. Os seis melhores serão selecionados (A CBDG entrou em contato. O objetivo é levar, pelo menos, seis pessoas, mas pode ter mais dependendo da demanda e da qualidade dos currículos analisados).

O principal objetivo é permitir o acesso dos brasileiros a uma série de avaliações e treinos técnicos com o que há de melhor na modalidade atualmente. As atividades serão coordenadas pelos treinadores Kristen Fraser e Igor Lukanin, parceiros da CBDG e que também coordenaram a primeira clínica para os atletas de alto rendimento em julho passado. No fim do evento, os seis profissionais irão receber a certificação WeSkate promovida pela ISI (Ice Skate Institution).

Não há um limite de idade, mas a participação de menores estará sujeita à companhia de um responsável. A CBDG vai custear todas as atividades físicas e técnicas, mas os participantes precisarão arcar com custos de alimentação, passagem e hospedagem. 

Além de entregar o currículo esportivo, o candidato interessado precisa ter passaporte com validade maior de seis meses e visto de entrada para os EUA. Veja mais informações neste link ou pelo telefone (51) 3086-3390 de segunda à sexta, das 9h às 18h.

E por que a polêmica?

A primeira clínica, realizada em julho, já teve uma polêmica grande por contar apenas com os atletas de alto rendimento - consequentemente, os seis que moram nos Estados Unidos (veja mais aqui). Uma das reclamações era o suposto abandono da modalidade no país, que conta com competidores que praticam a patinação no gelo (inclusive com o Rio Open realizado na semana passada). 

Agora, voltada para brasileiros, a tendência era agradar e unir os atletas nacionais. Mesmo assim, já surgiram alguns questionamentos. O primeiro deles é o tal currículo esportivo. Sem um órgão regulador, como provarão que realmente batalham pela patinação artística no Brasil? O segundo ponto é a questão financeira, pois são poucos os que têm condições de custear uma ida aos EUA e ficar sem trabalhar por aqui. 

Enfim, não quero mesmo entrar nesse mérito. Do meu ponto de vista, o evento é uma ótima oportunidade para aqueles que tiverem condições. Porém, entendo se surgirem algumas reclamações com a questão do dinheiro.

Essa novela só vai acabar quando aparecer uma arena de gelo por aqui, mas convenhamos: uma obra desta magnitude é cara, polêmica (não são poucos os que defendem o fim do investimento em esportes de inverno) e demorada. Resta torcer para o projeto de Santa Cruz do Sul avançar. Só assim este país tropical poderá atender todos os sonhos e demandas de quem curte e admira as modalidades geladas.

2 Comentários

  1. Parabéns pelo blog, Gustavo.
    Sobre a notícia: faz projeto social como a cbdn e arca com todos os custos de mandar a molecada treinar fora. Abç, Jonas - ES

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    1. Olá Jonas,
      A questão é que a CBDN apenas apoia o projeto Social Ski na Rua. Não partiu dela a iniciativa de começar o trabalho...

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